Leviatã Tecnológico contra a Guerra pela Água

reciprocidalismoAdmin
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O Reciprocidalismo, procura desconstruir o desenvolvimento, porque entende que o Assistencialismo de Estado e o Mercado capitalista são incompatíveis com a natureza civilizatória da humanidade. Para o Reciprocidalismo, a quebra da reciprocidade genuína, causou uma anomia nas sociedades - ao serem privadas das trocas do Dom e restringidas suas inclusões no Mercado -, causando o subdesenvolvimento e a exclusão social, visto que nesse contexto, o progresso foi bloqueado. A visão de Thomas Hobbes sobre a vida econômica e social das comunidades é profundamente influenciada por sua visão pessimista da natureza humana e pela necessidade absoluta de ordem. Para Hobbes, a sociedade e a economia só podem prosperar sob a égide de um Estado forte e centralizado, o "Leviatã “. Os pontos principais da perspectiva hobbesiana: (i) Vida Social (O Estado de Natureza vs. Sociedade Civil).  Estado de Natureza ("Guerra de todos contra todos") - Hobbes descreve a vida humana sem um poder superior organizado como "solitária, pobre, desagradável, bruta e curta". Sem um governo para impor ordem, o egoísmo humano, a competição por recursos escassos e a busca por glória levariam a um estado constante de medo e conflito violento. O Contrato Social e a Coesão Social - Para escapar desse caos, os indivíduos racionalmente decidem firmar um contrato social, renunciando à sua liberdade natural e transferindo-a para um soberano (o Estado). A sociedade civil, portanto, não é natural, mas artificial, criada pelo medo da morte violenta e pelo desejo de paz. "Homem é o Lobo do Homem" - Essa célebre frase resume sua crença de que, sem um soberano, os humanos tendem a se destruir mutuamente. A coesão social é mantida, portanto, pelo medo do poder do Estado, e não pela harmonia natural; (ii) Vida Econômica: Segurança e Propriedade - Impossibilidade de Indústria no Estado de Natureza - Devido ao medo constante e à guerra, Hobbes argumenta que no estado de natureza não há lugar para a "indústria", agricultura, comércio, navegação ou conhecimento, pois o fruto do trabalho é incerto. O Estado como Garantidor da Propriedade - A vida econômica organizada só surge após o contrato social. O soberano detém o poder de estabelecer leis de propriedade e de regular o comércio, garantindo que os indivíduos possam desfrutar dos frutos de seu trabalho com segurança. A "Vida Cômoda" - A finalidade do Leviatã não é apenas evitar a morte violenta, mas proporcionar "commodious living" (vida cômoda/confortável) aos súditos, facilitando o desenvolvimento econômico e o bem-estar; (iii) 3. O Papel do Soberano na Comunidade. Poder Absoluto e Centralizado - Para Hobbes, o poder do soberano deve ser absoluto e indivisível. A divisão de poderes convida ao conflito interno. Regulamentação e Bem-Estar - O Estado tem o dever de garantir a paz e a segurança, o que inclui a proteção contra ameaças externas e a manutenção da ordem interna, permitindo que a vida econômica prospere. Hobbes sugere que o Estado deve apoiar os necessitados e garantir o trabalho, prevenindo a ociosidade, para evitar sedições. Por fim, Hobbes, entende que a vida social e econômica é artificialmente construída por meio de um contrato que troca liberdade por segurança. A economia e a sociedade só existem sob um Estado forte e temido (Leviatã) que previne a "guerra de todos contra todos". 
A integração entre o Leviatã de Thomas Hobbes e o Reciprocidalismo propõe um debate profundo sobre a origem da ordem e da prosperidade no Semiárido. Enquanto Hobbes acredita que a civilização só nasce do medo de um poder soberano absoluto (o Estado), o Reciprocidalismo sustenta que a verdadeira civilização nasce do vínculo da Reciprocidade Genuína.
Para Hobbes, o subdesenvolvimento seria o retorno ao "Estado de Natureza" (guerra de todos contra todos por recursos escassos). Para o Reciprocidalismo, o subdesenvolvimento é a anomia causada pela substituição do Dom pelo Assistencialismo (o Leviatã que domestica) e pelo Mercado (o lobo que devora).

1.0. O Leviatã Tecnológico contra a “Guerra pela Água” – Hobbes argumenta que, sem um poder superior, a vida é “bruta e curta” porque ninguém tem segurança sobre o fruto do seu trabalho. No Semiárido, a escassez hídrica muitas vezes gera essa “guerra de todos contra todos” (conflitos por poços, carros-pipa e cercas).

1.1. O Núcleo como Contrato Social Orgânico – O Núcleo de Reciprocidade e Irradiação de Tecnologias (NIT) é a resposta reciprocidalista ao contrato de Hobbes. Em vez de entregar a liberdade a um soberano externo (Estado), os agricultores firmam um Pacto de Honra mútuo. A segurança do “fruto do trabalho” não vem do medo do Leviatã, mas da certeza da retribuição. Quando um agricultor irradia uma tecnologia, ele não perde recursos; ele ganha um ambiente de paz, aliança e segurança sistêmica.

2.0. A “Vida Cômoda” via Irradiação, não via Concessão – Hobbes afirma que o fim do Estado é proporcionar uma “vida confortável” (commodious living). No entanto, nas terras secas, o Estado frequentemente falha nessa promessa, entregando apenas o mínimo para a sobrevivência (assistencialismo), o que mantém o homem em um estado de “morte social” latente.

2.1. Superando o Subdesenvolvimento – O Reciprocidalismo propõe que a “vida cômoda” surge da Autonomia Técnica. Os Núcleos de Reciprocidade medeiam o conflito entre Estado e Mercado ao transformar a “indústria e agricultura” (que Hobbes dizia serem impossíveis sem o soberano) em realidades comunitárias. A tecnologia de convivência, uma vez irradiada, torna-se o garantidor da propriedade e do bem-estar, sem que o agricultor precise se submeter à vontade absoluta de um Leviatã burocrático.

3.0. O Mediador: Da “Força do Medo” à “Força do Vínculo” – Para Hobbes, o medo do poder do Estado é o que mantém a coesão. O Reciprocidalismo desconstrói essa visão, apontando que o medo gera apenas obediência, enquanto a Reciprocidade Genuína gera progresso real.

3.1. Mediação com o Mercado – O Mercado hobbesiano é o lugar da competição egoísta. O Núcleo intervém para garantir que a competição por lucro não destrua o “Contrato Social” da comunidade.
3.2. Mediação com o Estado – O Núcleo protege os indivíduos da face “absoluta” do Estado. Se o Estado tentar retirar recursos ou impor leis injustas, encontrará uma sociedade organizada que não depende do Leviatã para sua “indústria” básica (água e alimento).

4.0. O Homem não é o Lobo do Homem, mas o Irmão do Dom – A célebre frase de Hobbes é o oposto do que Marco Aurélio e o Reciprocidalismo defendem. O Reciprocidalismo acredita que a natureza humana é colaborativa, mas foi corrompida pela quebra da reciprocidade.

4.1. O Progresso Desbloqueado – Ao restaurar as trocas do Dom, o NIT remove a necessidade de um controle absoluto. O progresso é bloqueado quando o homem se torna “lobo” por desespero; ele é desbloqueado quando o homem se torna “vinha” por convicção.

4.2. O Leviatã (Estado) deixa de ser o dono da vida e passa a ser apenas um parceiro técnico que fornece a “espoleta” inicial, que a comunidade então multiplica e governa.

SÍNTESE: A SOBERANIA DO NÚCLEO – Relacionar Hobbes ao Reciprocidalismo permite concluir que: (i) A Ordem nasce da Base – A segurança nas terras secas não deve vir de um poder centralizado (o Estado), mas da rede capilarizada de Núcleos de Reciprocidade; (ii) O Pacto é de Valor, não de Medo – A coesão social é sustentada pela Irradiação Tecnológica, que prova que cooperar é mais lucrativo e seguro do que competir; (iii) A Liberdade é Mantida – Diferente de Hobbes, o agricultor no Reciprocidalismo não renuncia à sua liberdade; ele a potencializa ao se tornar um irradiador de soluções.

Hobbes criou o Leviatã para salvar o homem da morte violenta; o Reciprocidalismo cria os Núcleos de Reciprocidade e Irradiação de Tecnologias para salvar o sertanejo da morte social. No Semiárido, a paz não é o silêncio imposto pelo Estado, mas o som das cisternas cheias e das mãos que ensinam o vizinho a produzir a própria vida.